segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

8 de março. dia internacional da mulher. lembrete: violência psicológica também é crime.




a lei maria da penha é importante por vários motivos. talvez não seja perfeita. mas a sua existência já é, em si, uma vitória. óbvio que lei no papel não resolve nada. no entanto, por outro lado, sem lei, não tem direito que seja assegurado. esta é a lei maria da penha, se você ainda não conhece. a lei maria da penha não é uma lei das mulheres contra os homens. é uma lei contra a violência contra a mulher, algo que nem mulheres e nem homens (obviamente, os saudáveis) querem para as suas vidas.  um dos crimes que a lei maria da penha prevê é a violência psicológica.  quando, sem encostar a mão, um homem vai matando a mulher por dentro. minando sua auto-estima. enchendo a cabeça e a alma dela de angústia, medo, dor, auto-punição, veneno. 



não por coincidência geralmente a tortura psicológica está associada a uma dependência financeira: a mulher não tem pra onde ir e vai aguentando. ou então sua coragem tá tão detonada que ela nem sequer tem noção dos fatos. e vai vivendo aquilo, ao invés de juntar forças para sair daquilo. e vai se acostumando. um chefe que vive detonando um empregado se fizer a mesma coisa estará igualmente adotando comportamento ilegal. a relação é de trabalho, venda de mão-de-obra pelo salário. se denunciar, o empregado perde o emprego. naquela empresa e talvez em outras. não é uma situação muito fácil denunciar. imagina quando tem uma relação afetiva no meio.


mas por mais que faça sofrer, a tortura psicológica só não é pior do que se acostumar com ela. então, sob esse aspecto, sofrer é positivo. sofrer quer dizer incômodo, consciência da injustiça, clareza do jogo perverso que se estabelece. sofrimento é lucidez. porém, o sofrimento deve virar ação, reação, solução. sofrer em silêncio é que só perpetua o que está errado. só dá mais força para quem está errado.


seja o torturador quem for - amigo, irmão, marido, namorado, pai - tortura psicológica contra uma mulher - é crime, passível de denúncia legal, graças à lei maria da penha.  e tortura psicológica é algo mais comum do que se pensa.  de perto, ninguém é normal. mas  os torturadores, loucos, são ainda menos. se julgam superiores pelos motivos mais díspares: por que são eles que pagam as contas, por que são homens, por que são maridos, por que não são mais, por que são biologicamente pais, por que têm filhos, por que assim demonstram preocupação, amor.. a lista de motivos injustificados é enorme e seria engraçada se não fosse trágica.


pior: às vezes, a ladainha de motivos injustificáveis é internalizadas pelas mulheres. já viu algum patrocinado detonar o patrocinador? é assim, pela dependência financeira, que milhões de mulheres vão reproduzindo barbaridades para as suas próprias filhas e para os seus próprios filhos, que crescem homens mané, ou para si mesmas.


(...)
Art. 5º Para os efeitos desta Lei configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial
(...)
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.
(..)


descobri um blog, por acaso, que se chama machismo mata, um memorial para as mulheres mortas pela violência do machismo: 
http://machismomata.wordpress.com/


numa escala de sofrimento, matar o corpo pode ser considerado mais grave. um ato de violência final. porém, antes que esse ato aconteça, muitas dessas mulheres morreram por dentro, torturadas, psicologicamente. eu acho que essa é uma morte tão grave quanto.


não vou postar neste blog até julho. então este é o meu post pelo dia 8 de março.
feliz dia da mulher, para homens  e mulheres, sem violência psicológica.


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